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O Contrário de Trabalho Não é Brincar!

Atualizado: 9 de jan.


Hoje ouvimos frequentemente que “brincar é o trabalho das crianças”, mas será que esta expressão transmite o que realmente queremos dizer? Será que, inadvertidamente, causa mais mal do que bem?


Vamos esclarecer: brincar é o trabalho das crianças, mas não nos termos convencionais de "trabalho". O brincar é o berço da personalidade e identidade infantil, não se trata de inserir informações na criança, mas de extrair suas ideias, intenções e desejos.


As crianças, como aprendizes naturais, precisam do brincar para desenvolver um sentido de identidade. O brincar é um ato de auto-criação.


Comparar trabalho com brincar pode parecer lógico, pois os adultos levam a sério seus empregos e lazer. No entanto, para muitos adultos, trabalho e lazer são distintos, enquanto para as crianças, não há tal distinção.


Muitos adultos veem o seu trabalho como importante, mas carente de alegria, criatividade ou liberdade. Este contraste entre trabalho e lazer faz com que pareça inapropriado considerar o brincar como trabalho. Então, o brincar para ser considerado trabalho, acabou por exigir uma finalidade e resultados palpáveis.


Ao tentarmos convencer os outros sobre a seriedade do brincar infantil, acabamos equiparando-o ao trabalho, no sentido de esforço e obrigação. Mas, na verdade, o brincar envolve enorme energia e tempo, sem obrigações evidentes, se permitirmos. Isso deveria ser prova suficiente de sua importância.


A frase "o brincar é o trabalho das crianças" é muitas vezes atribuída a figuras modernas como Mister Rogers, mas na realidade, ela tem raízes mais antigas. Encontramos referências em Sigmund Freud, Jean Piaget e Maria Montessori, mas também em educadores como Rudolf Steiner e Frederick Fröbel.


Estes pensadores, reconhecidos no campo da educação infantil, já falavam sobre a importância do brincar, cada um com sua interpretação. A ideia remonta ainda mais, possivelmente até Jean-Jacques Rousseau ou até John Locke, apesar deste último não concordar com a analogia de brincar ser igual a trabalho.


Esta ideia, influenciada pela ética protestante do trabalho, permeou o pensamento sobre a infância, promovendo a crença de que o brincar só é válido se resultar em algo produtivo.


Assim, adultificamos o brincar, esquecendo a sua beleza, inocência e poder.


Conforme Brian Sutton-Smith nos lembra, “O oposto de brincar não é trabalhar. O oposto de brincar é depressão.” Precisamos respeitar a nossa necessidade de brincar, pois isso pode transformar o trabalho, trazendo de volta entusiasmo, novidade e alegria.


Portanto, a verdadeira questão é: o que aconteceu? A resposta é simples: esquecemo-nos de apenas brincar.



Referências:





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