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Ambientes Acolhedores: O Papel das Creches na Educação Waldorf

Atualizado: 12 de jan.


Os objectivos fundamentais da educação Waldorf, para crianças desde o nascimento até aos sete anos, centram-se no desenvolvimento individual de cada criança e da humanidade como um todo. Este desenvolvimento é fomentado por experiências saudáveis nos primeiros sete anos de vida. Para tal, é essencial uma atmosfera de calor humano e orientação amorosa, que promova a alegria, a admiração e a reverência, apoiando este desenvolvimento saudável. O aspecto fundamental no trabalho com crianças pequenas é a atitude interior do educador, que serve de exemplo para a imitação pela criança. Assim, o trabalho do educador Waldorf exige um processo contínuo de auto-educação e pesquisa, incluindo estudo, prática meditativa e actividades artísticas e práticas.


Nos jardins de infância Waldorf, assim como em programas de apoio familiar, como creches e grupos para pais e filhos, estabelecem-se as bases para a aprendizagem futura e para um desenvolvimento saudável. Este desenvolvimento abrange o crescimento físico, social, emocional, intelectual e espiritual ao longo da vida.


A educação Waldorf baseia-se na compreensão do desenvolvimento da individualidade humana, visando proteger e respeitar a dignidade da infância. Isto implica um entendimento do desenvolvimento infantil desde o pré-nascimento até aos sete anos, incluindo a importância do desenvolvimento de andar, falar e pensar nos primeiros três anos de vida.


As actividades na educação de infância Waldorf levam em conta as necessidades específicas de desenvolvimento das crianças, com foco na actividade física/motora nos primeiros três anos, seguida de brincadeiras imaginativas nos anos intermédios e, posteriormente, uma abordagem mais cognitiva após a entrada na escola.


Consideramos que a selecção de um ambiente acolhedor para as nossas crianças é uma das decisões mais importantes enquanto pais. Sabemos que somente através da experiência directa poderemos avaliar se este ou outro modelo é o tipo de cuidado infantil que procuramos para os nossos filhos.


Por isso, nas ofertas de cuidados infantis baseados na pedagogia Waldorf, incentivamos os pais a conhecerem e discutirem os nossos projectos e opções disponíveis, antes de tomar uma decisão. Queremos que os pais experienciem directamente o ambiente Waldorf: as cores, a sensação de um lar acolhedor, a atmosfera calma e a decoração natural, os cheiros e sons, para que sintam que os seus filhos terão uma "casa fora de casa".


Muitos pais ficam encantados com a paz deste ambiente. As características que o tornam especial incluem brinquedos de madeira, sedas, panos, plantas, tesouros da natureza e o cheiro da comida caseira, contrastando com espaços descritos como caóticos, com cores agressivas e sons de brinquedos electrónicos.


A escolha de um espaço Waldorf não se baseia apenas na estética, mas no que desejamos para as nossas crianças. Estes anos de auto-desenvolvimento permitem que a criança avance através dos seus próprios esforços, adquirindo conhecimento pelas oportunidades que lhe são dadas. As crianças imitam não apenas o que dizemos ou fazemos, mas quem somos como pessoas. Portanto, não tentamos mudar a individualidade da criança, mas sim fornecer as condições certas para que ela explore suas próprias capacidades e o mundo ao seu redor. Servir as crianças significa guiá-las, ajudando-as a encontrar suas habilidades inatas e superar obstáculos.


Acreditamos que não somos líderes que as crianças devem seguir, mas sim exemplos a serem imitados e guias do seu auto-descobrimento e desenvolvimento. Nós criamos o ambiente; o trabalho é delas.


Oferecemos uma "casa fora de casa", com cuidados de higiene personalizados, espaço e tempo para desenvolvimento motor auto-dirigido, jogos de dedos, cantigas acompanhando tarefas domésticas, como lavar pratos, cozinhar, limpar, estender roupas ou pôr a mesa. Valorizamos a exploração livre do ambiente, brinquedos simples para estimular a imaginação e investimos em actividades que construirão mentes e corpos saudáveis.


Enfatizamos a brincadeira livre e diária ao ar livre, em todas as estações e climas. Contar histórias e contos é um aspecto valorizado. Memorizamos pequenas histórias sobre o quotidiano e a natureza, ajudando no desenvolvimento da linguagem e na internalização de versos e poemas. Encenamos histórias com panos e sedas para despertar a imaginação. Procuramos um cuidado holístico, educando a cabeça, o coração e as mãos das crianças, com tempo, espaço, ambiente e relações para uma infância mais tranquila.


Acreditamos que apoiamos melhor as crianças quando temos um relacionamento sólido e respeitoso com os seus pais. Oferecemos oportunidades para famílias e cuidadores estarem juntos em ambientes sociais, não só no dia a dia, mas também durante nossos muitos festivais.


A formação académica de nossos cuidadores é diversa, mas todos foram atraídos para esta pedagogia e se formaram nela após encontrá-la, muitos de nós em Espanha ou outros locais no estrangeiro, pois só recentemente existe formação acreditada em Portugal. Acreditamos que algo que nos chamou foi o saber que as crianças necessitam de uma comunidade vibrante e saudável, onde sintam amor, confiança e maravilhamento, e que estas são a verdadeira base da aprendizagem e da vida. Valorizamos cada criança e o que ela traz para a nossa comunidade, criando espaços onde a actividade vai além do atendimento infantil.


A oferta da creche ou ama, a partir da perspectiva da pedagogia Waldorf, é, essencialmente, sobre a família. Procuramos identificar as necessidades das famílias de hoje, manter o respeito pelas suas escolhas e pela forma como encontraram o seu equilíbrio, apoiar e contribuir para nutrir a sua vida familiar. Tentamos fazer a ponte casa-escola de uma forma que não imponha, mas sim que proporcione aos pais a possibilidade de vivenciarem o espaço e o cuidado aí praticado, por meio da observação e participação no cuidado prático do dia-a-dia da criança.

Procuramos conhecer as famílias e iniciar um relacionamento de imediato. Este relacionamento começa na primeira reunião e visita ao espaço, continua durante a fase da(s) visita(s), que pode levar tanto tempo quanto os pais desejarem (e por vezes pode demorar semanas até que os pais estejam seguros e prontos para deixar os seus filhos com o novo cuidador) e não termina nunca.


Quando o cuidador se torna conhecido dos pais e em essência uma relação é estabelecida, sabemos que aí sim, podemos sugerir mudanças e influenciar a psicologia do outro com as nossas respostas empáticas e os nossos exemplos.


Costumamos dizer que oferecemos "uma infância lenta". Pois aqui, as coisas são implícitas, em vez de explícitas - cantamos, contamos pequenas histórias, fazemos pequenas peças de fantoches e fazemos o trabalho doméstico que precisa de ser feito. Cozinhamos com as crianças, lavamos as mãos com elas, acompanhamos-as para dormir; mas, na verdade, estamos a ajudá-las a aprender habilidades sociais e de auto-cuidado para que possam começar, nos seus pequenos e doces modos, a construir um sentido da sua própria independência numa comunidade amorosa.


Paciência, cordialidade e amor são as habilidades e qualidades necessárias para proporcionar isso às crianças.


E outro factor importante, em cada espaço os cuidadores têm a autonomia de tomar decisões, fazer mudanças e ajustes que considerem adequadas ao seu grupo para à sua prática do dia-a-dia. (E sabemos como é fundamental ter essa independência e flexibilidade para decidir como formar o nosso programa depois de muitos anos em escolas onde as coisas são necessariamente mais rígidas.)


Esta é a nossa realidade, mas poderia ser a realidade de todos nós, porque se esta é a realidade que para ti faz sentido, podes buscar fazer a mudança estejas em que situação te encontres. As grandes mudanças começam com pequenos passos.


Como tal, as nossas principais ferramentas de trabalho são:

- Amor e cuidar

- Imitação

- Ser o exemplo

- Um ritmo diário previsível

- Nutrição adequada

- Movimento livre

- Linguagem rica

- Cantar

- Espaço suficiente para actividades auto-dirigidas com a mínima intervenção do adulto possível.


Estas ferramentas todos as temos. Com crianças dos zero aos três, menos é mais. Não há que complicar o que é simples.


NOTA: Se quiseres saber como podes trazer esta realidade para a tua prática, contacta-nos, estamos aqui para responder a todas as questões. Temos novidades em breve, sobre esta temática!



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